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“O método KonMari , desenvolvido pela Marie Kondo, feito para organizar a casa, ajuda a organizar a vida. A desordem dos objetos é reflexo de um certo caos interior. Ao mesmo tempo, esse labirinto externo cria uma sensação de confusão interna. Ambos os aspectos estão fortemente inter-relacionados.”

Neste início de ano, decidi me dar um presente: tempo. Acredito que foi fruto de alguns retiros de silêncio que fiz entre novembro de 2018 e janeiro de 2019. Frases do Monge Enjo ficavam pulando na minha mente no retiro de Ano Novo … “karma das coisas inacabadas … não perca tempo ”. Fiz um balanço de quantas coisas comecei ou pensei em fazer e fui deixando pelo caminho. Tive grandes conquistas em 2018, como a finalização da Especialização na UNIFESP, mas ainda assim havia muita coisa pelo caminho. Algumas de alguns anos, outras de décadas!

Lembrei de um livro que ganhei em 2015, quando completei 50 anos, de outra amiga querida dos tempos de adolescência, Silvia.  “A mágica da arrumação”, de Marie Kondo. Havia começado a ler, achei interessante, mas ficou ali, naquele buraco negro, chamado coisas inacabadas. O lançamento da série dela na Netflix, foi o pontapé inicial que eu precisava. Fiz binge watching e em poucos dias havia assistido todos os episódios e fiquei bastante impactada, aquilo era muito mais do que simplesmente organizar a casa.

Sentia que algo na minha vida estava ´emperrada´ tanto na área profissional como pessoal. E um dos sintomas claros disto estava na minha mesa de escritório, com pilhas de papeis sobre a mesa e dezenas de livros no chão, pois não cabiam mais na minha estante. Sempre procuro coisas sobre Feng Shui e um dos posts dizia algo assim: “objetos deixados no chão puxam você para baixo”. Isto ficou na minha mente e me impulsionou para a ação.

Colocando a casa em ordem

Quem me conhece desde a infância, sabe que sempre fui CDF. Então quando eu decidi iniciar a minha arrumação, eu segui passo-a-passo as instruções da Marie Kondo (o segundo livro é melhor para usar como guia).

E lá fui eu juntar todas as minhas roupas e empilhar sobre a minha cama. O primeiro passo foi descartar as roupas que não me traziam alegria e as que não faziam mais parte do meu ciclo atual de vida e o que quero para meu futuro. Fiquei chocada com o tamanho da pilha e com o tanto de coisas que eu nem me lembrava direito e pior, coisas que estavam no meu armário e me incomodavam sempre que abria e continuavam lá. Tailleurs e terninhos que não uso mais. O ´pior caso´ foi um vestido longo que comprei para ir ao casamento da filha de um ex-namorado há uns quase 10 anos e que nunca usei (fui ´desconvidada´ na última hora, mas deixa para lá, isto é outra longa história).  Muitas vezes nos sentimos tristes sem nem saber por que: depois desta fase já percebi quanta coisa guardamos (dentro e fora de nós) sem estarmos conscientes e aquilo fica ali sugando sua energia e alegria de forma velada e invisível.

Foram sacos e mais sacos de roupas que foram doadas e outros tantos descartados, sem contar nas dezenas de cabides inúteis pendurados no armário.  O resultado final foi tão gostoso de apreciar tudo guardado de forma organizada, acessível, ‘ clean´, que me empolguei para continuar.

E assim parti para as próximas fases: livros (mais de 350 vendidos para um sebo e duas malas de vídeos e CD doados), papeis e documentos, material de escritório, cadernos usados, apostilas  de cursos, relatórios, exames médicos, eletrônicos: sempre descartando e organizando o que ficou.   

Foi interessante descobrir locais para doar/descartar adequadamente algumas coisas que não podem ir para o lixo comum: eletrônicos (USP), raio-X/exames de imagem (Fleury, alguns postos de saúde, condo), O pessoal super legal do SEBO do menino, brechó não gostei.

Reler alguns diários e cartas foi algo dolorido, mas ter a coragem de rasgá-los e descartá-los após foi muito forte e significativo. Aquilo tudo que me causou tanta dor e tristeza, já não existe mais, eu não sou mais aquela que magoou algumas pessoas e que também foi muito magoada.

O investimento em caixas transparentes e outros itens para ajudar na organização vale super a pena.  A revelação é se algo te incomoda dentro de casa, mesmo que minimamente, não pode deixar isto permanecer assim.

Arrumar  cozinha e a área de serviço teve o mesmo efeito de arrumar as roupas: quantas coisas são de fases que não tem mais nada a ver comigo. Às vezes dava até vergonha de ter coisas sujas, quebradas, enferrujadas ou vencidas há muito tempo!   Me perguntei algumas vezes, como isto chegou a este ponto?

Pequenas coisas podem fazer grande diferença na alegria que trazem (por exemplo um potinho pendurado sobre o tanque para guardar os novos pregadores coloridos (substituindo os velhos sujos de madeira) ou o pote para detergente e esponja transparente na pia e um cantinho para o lixinho de pia, que agora não fica mais na pia e ao lado do fogão (há muitos anos lembro de ter lido que deixar o lixo perto do fogão não era bom e sempre que via o lixo lá me incomodava e nunca fiz nada para mudar isto).

Os novos pregadores dão alegria!

Cada coisa agora está guardada por que faz sentido para mim, e num lugar que faz sentido também, não só por que era onde tinha lugar.

Mandei consertar um computador quebrado e parado há algum tempo, o varal que estava despencando e metade sem poder usar, mandei descupinizar uma estante que estava produzindo pozinho e sujando a sala.

Objetos sentimentais são a última fase da arrumação (presentes de outras pessoas, quadros, fotos, objetos colecionáveis) com sabedoria, a gente já está mais ´desapegado´ e pode ser mais neutro (e verdadeiro com a gente mesmo!).

Foram 19 dias ininterruptos de arrumação! (Lembra que disse que foi um presente para mim mesma? Balanço: muuuuitos banhos e lavadas de mão, um pequeno corte, algumas alergias e coceiras, cansaço físico e mental em muitos dias, bastante insônia, mas foi um grande processo terapêutico, muito curador.

Sim, este mini sabático ´ativo´ valeu muito a pena!

O que eu percebi e fui aprendendo

“Você está percebendo algo diferente após esta organização?
O que está sendo mais significativo?”

Pergunta da minha amiga Kika que originou este post.

Em primeiro lugar, eu fiquei muito feliz com a determinação e foco, de prosseguir até o final! Me deu aquela sensação de que se eu consegui fazer isto, posso fazer qualquer coisa que quiser.

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
(Trem Bala, Ana Vilela)

Me sinto mais leve, bonita e feliz. E mais corajosa!  Hoje, último dia da maratona, estive na terapia ayurvédica e até o meu terapeuta falou que meu abraço estava diferente! Quando falei que este processo valeu por um ano de terapia, ele respondeu, acho que vale uns 10!

Também me surpreendi com a ´criatividade´ em arrumar soluções. Mover uma poltrona da varanda do meu quarto para a sala para criar meu cantinho de meditação. Ou guardar uns potinhos floridos da minha avó de cabeça para baixo em uma prateleira de vidro para que pudessem me alegrar ao invés de ficarem guardados no armário sem uso.  Até o meu altarzinho foi reduzido e ganhou um novo lugar especial!

Santa Marina, São Francisco, Buda, Ganesha e cristais

Tem coisas que falei: Nossa como nunca pensei nisto, para coisas que estavam tão fáceis de resolver, bem na minha cara por anos! Pareço uma criança, me encanto com cada armário ou coisa que que pego em casa.

A Teoria das Janelas Quebradas faz todo o sentido. Fica automático guardar logo as coisas (roupas, papeis, louças, etc.) Sinto que é uma forma também de praticar o ZEN, que ensina que ao sair, devemos deixar tudo exatamente como encontramos (ou melhor, claro!).

Tenho novamente prazer em estar em casa e posso pensar em receber pessoas para me visitar. Estou percebendo coisas sutis também, está mais fácil controlar impulsos de comer, ficar assistindo tv muito tempo. Aprecio ainda mais o pôr do sol na varanda da sala.

No ano passado estava bastante inquieta e cheguei a olhar outros apartamentos para mudar de casa e este processo me ajudou a fazer as pazes com esta minha preocupação e estar segura de que quero (e gosto muito) morar aqui.

Agora posso avançar com os meus tarefas e projetos inacabados e organizar as outras áreas da vida! E claro, casa pronta para a próxima fase: consultoria Feng Shui! Aguardem as novidades.

Referências

  • Ordem na Casa, com Marie Kondo. NETFLIX, Temporada 1 “Ordem Traz Felicidade”, 2019

Quer trocar figurinhas? Me manda uma mensagem.
Marina Neumann, Fevereiro de 2019